E se parte dos pneus de amanhã pudesse nascer dos resíduos de hoje? A indústria dos pneus procura novas soluções para reduzir a dependência de matérias-primas fósseis e tornar a produção mais circular. O estudo recente “Driving the Green Transition: Innovative Tyre Formulation Using Agricultural and Pyrolysed Tyres Waste” analisou a substituição parcial do negro de fumo (carbon black), tradicionalmente usado como agente de reforço, por resíduos agrícolas e por materiais obtidos através da pirólise de pneus em fim de vida.
Os resultados revelam caminhos diferentes. Quando incorporados em grandes quantidades, os resíduos agrícolas reduzem significativamente a resistência mecânica da borracha, o que limita a sua utilização. Já os materiais provenientes da pirólise de pneus usados mostraram um desempenho muito mais promissor, com propriedades técnicas semelhantes e, em alguns parâmetros, superiores às das formulações convencionais.
O ganho não é apenas técnico. A substituição parcial do negro de fumo permitiu também reduzir o impacte ambiental da produção, de cerca de 3,6 kg de CO₂ equivalente por kg de material para valores entre 3,2 e 3,29 kg.

Os resultados reforçam, assim, o potencial da economia circular no setor, ou seja, transformar pneus em fim de vida em matéria-prima para novos produtos, reduzindo resíduos, emissões e a utilização de recursos fósseis.