A sustentabilidade dos pneus começa muito antes de chegarem à estrada. Novos critérios europeus de ecodesign querem mudar a forma como são concebidos, produzidos e reciclados, dando mais espaço a materiais reciclados, soluções de origem biológica e modelos de economia circular.
Mais sustentáveis, mais circulares e pensados para durar mais. É este o caminho que a indústria europeia dos pneus quer reforçar com a futura aplicação do Regulamento Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR – Ecodesign for Sustainable Products Regulation), que deverá abranger os pneus através do quadro regulamentar do ato delegado previsto para 2027.
A Tyres Europe defende que as novas regras devem ter uma visão global do impacto ambiental dos pneus, incluindo a pegada de carbono, sem comprometer fatores essenciais como a segurança e o desempenho. Para isso, os critérios deverão assentar em dados fiáveis, metodologias claras e regras coerentes com a legislação já existente.
Entre as prioridades está o aumento da utilização de materiais reciclados e de base biológica. Mas, antes de fixar metas obrigatórias, a indústria alerta para a necessidade de garantir disponibilidade, qualidade e custos competitivos destes materiais na Europa. O objetivo é criar uma cadeia de valor capaz de produzir soluções sustentáveis em escala, sem aumentar a dependência de importações.
A recauchutagem surge também como uma peça importante da economia circular, sobretudo nos pneus para camiões e autocarros. Incentivos fiscais e financeiros e regras mais claras poderão ajudar a aumentar a sua aceitação no mercado.
Outro ponto essencial é evitar sobreposições entre regulamentos. Questões como resistência ao rolamento, abrasão ou quilometragem já são tratadas por outros enquadramentos europeus e internacionais.
O ecodesign promete, assim, mudar a forma como os pneus são concebidos, produzidos, utilizados e acompanhados ao longo de todo o seu ciclo de vida, colocando a inovação ao serviço de uma mobilidade mais sustentável.